
Paixão sofrida em dor e amor que não se siga uma aleluia!
C. Lispector




Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...
Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!
E nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade...
Olhos a arder em êxtases de amor, Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!
F. Espanca
Não sei porque eu ainda perco tempo bolando planos mirabolantes para estar ao meio. Nesse meio. Nesse meio que não me pertence! Nem há como eu perder algo que nunca tive. Nem poderia... Pois, como poderia?? Não, não. Bobagem. Muuuita bobagem mesmo a minha...
Como poderia dar certo? Como que eu pude crer que isso daria certo? Da forma como tudo aconteceu? Dizem que tudo que começa errado, acaba errado. Nem tudo! Tenho provas de que isso não se faz verdade em tudo. Mas bem que parece ser o caso. Esse caso que me tira a paciência!
Deu. Tudo o que tinha que dar? Não sei! Nem tenho mais imaginação para prever. Nem sei se quero ter essa imaginação toda. Aliás, eu não queria mesmo! Maaas... é preciso! Liberdade. Quero aquilo de volta. Quero sentir a brisa da liberdade pairar sobre meu corpo, sentindo cada parte de mim arrepiar-se!
Eu só peço isso. Só isso tudo! Ele, lá de cima, sabe do que falo, sabe do que sinto. E Sabe do que preciso. E somente Ele vai poder mudar. Transformar tudo isso no que melhor couber a mim. Talvez, nem mudar. Apenas enxergar com clareza, o que talvez não exista...
Por Luana Chaves
(09/06/10)
Pensamentos borboleteando...
Às vezes, parece de propósito! Eu que tanto sonhei uma noite inteira. Foi uma noite linda, repleta de encontros e desencontros. Mas tudo era novo, cativante... O cheiro doce da brisa de uma noite com céu estrelado! Ah, ainda posso sentir o pêlo da minha pele mexendo aos movimentos suaves que aquela brisa trazia... Você estava lindo! Vestido à vontade, com malícia no olhar e um sorriso tímido, que me instiga a cada dia mais a decifrar-te pela boca!
Por que as coisas tomam rumos tão inesperados ao que tentamos, ingenuamente, prever? Vai ver que a graça realmente encontra-se aí, nesse misto de dúvidas, medos, surpresas e incertezas. Incertezas que me arrepiam a espinha só de pensar em quais são. Não quero que você se torne o objeto principal dessa provável incerteza, que pode vir a assombrar minha paz, meu desejo de ti.
Se pudesse filmar aquele momento... Não, não posso nem pensar nessa impossível possibilidade! Mas confesso que ela seria a razão do meu inexistente bom humor matinal. Sim, teu sorriso tímido operaria esse milagre em mim...
O perfume, o toque. Tuas mãos me levaram pra perto de ti, do teu cheiro, teu colo. Quase pude sentir teu coração palpitar contra meu peito, que dilacerava ao encontro do teu calor. Mas tudo passou. E nada foi além de uma noite, uma linda noite estrelada!
Por Luana Chaves
(16/05/10)
Pensamentos borboleteando...
Como todo mundo sabe ou pelo menos desconfia, nós, seres humanas, temos uma capacidade inerente de adaptação. Seja qual for o tempo, ambiente ou estado de espírito e humor, adaptamo-nos conforme a necessidade pessoal ou social, individual ou coletiva. Mudamos. E as mudanças ocorrem, normalmente, de acordo com as escolhamos que fazemos, as ações que praticamos.
Agora a pouco, eu estava remexendo em materiais antigos que guardo a sete chaves. Lendo uns cadernos, deparei-me com poesias que escrevi ainda quando estava na 7ª série! Com 20 anos, senti um estranho incômodo ao decifrar páginas e páginas carregadas de lágrimas, angústia, desespero, incerteza. Era o sofrimento puro. Puro e sincero. Sentimentos de uma garotinha que havia começado a decodificar seus desejos e anseios, de forma simples e direta.
Hoje as poesias são mais densas, indiretas e nos remetem a ler as entrelinhas, enxergar a sua profundidade através do que está subentendido e não daquilo que está exposto, “escrachado”, fazendo com que as pessoas interpretem como algo banal. Será de propósito? Será que temos medo de sermos interpretados como banais? Ou será tudo isso um mistério? Uma maneira de querermos parecer, de alguma forma, mais interessantes?
A diferença básica é de que quando éramos mais jovens, tínhamos o tempo todo do mundo para sofrermos e agora pensamentos que temos muito pouco tempo para viver, aproveitar a vida, que não há espaço para o drama? Ou tudo isso tudo não tem nada de “friamente calculado”, e nos tornamos assim por pura culpa do inconsciente como forma de mecanismo de defesa contra o mundo frio e calculista em que vivemos?
Nada que eu tenha a resposta em primeira mão. Aliás, talvez nunca tenha mesmo. O fato é que não optamos, mas somos espontaneamente forçados a mudar de postura, opinião, estilo de vida, assim como o camaleão muda de cor, conforme o interesse que nos convém e/ou de acordo com aquilo que nos é imposto pela sociedade, uma vez que o homem não sobrevive isolado, mas sim em conjunto a todas as espécies, que se encontram em constantes transformações, exigindo, assim, cada vez mais mudanças de adaptação.
Jovens ou não, somos bombardeados de transformações por todos os âmbitos da vida. Cabe a cada um de nós sabermos lidar da melhor maneira possível com nossas couraças, que cada um, no íntimo, sabe exatamente quais são.
Por Luana Chaves
(04/05/10)
Pensamentos borboleteando....
Tudo começou de uma forma tão sutil, inocente, entretanto, me cativou de um modo tão envolvente, tão pessoal. Você faz parte da minha vida, construiu parte do que sou dentro daquele ambiente onde havia tantas diferenças e indiferenças, nas quais fomos protagonistas de muitas histórias e soubemos lidar muito bem com elas. Quase que ao mesmo tempo compartilhamos risadas, decepções, confissões, festas, tristezas... Vida!
Foi sempre assim que gostamos, que vivemos! Porque pra gente, uma coisa de cada vez, é para os fracos, a gente gosta mesmo é de tudo junto e misturado! A cada dia que passa, eu tenho mais certeza da escolha que fiz quando te escolhi pra compartilhar uma amizade verdadeira. Uma amizade que ultrapassa qualquer incerteza, medo ou decepção. Porque com você, eu me sinto livre, livre pra dizer o que melhor pode cair sobre ti. Você tem um pedaço enorme aqui dentro de mim, portanto, quando você vibra, eu vibro junto.
As nossas diferenças nos completa de uma forma tão intensa, que chego a ter medo de te perder. É incrível como nosso olhar se entende e nosso abraço se completa, nas situações boas e ruins. Porque é mágico segurar sua mão e sentir que está tudo bem. Eu aprendi muito com você, com nossas experiências e presepadas. Mesmo que eu não precise dizer, saiba que sempre estarei aqui para te apoiar e te parar quando for preciso.
Tudo o que estiver ao meu alcance, farei para te deixar melhor. Sempre que precisar de ajuda, espero que não hesite em me procurar, nunca. A delicadeza do seu sorriso me traz vontade de sorrir de volta. Quando você não está presente, eu sinto sua falta. Obrigada por todos os momentos que já dividimos juntas. E eu quero mais, muito mais da gente.
Minha piranha, minha amiga. Te amo aqui e ali.. Em qualquer lugar! Seu carinho me faz muito feliz.
Em 23/04/10.
Palavras. Sempre foram letras que me chamaram muito a atenção. Pa-la-vra. Soa de forma estranha depois de muito tempo pronunciada. E ainda assim, agrada aos meus ouvidos.
‘Eu queria pegar a palavra com a mão’, tocar, sentir cada sílaba encadeada na outra de uma forma concreta, firme. Como se eu pudesse compactá-la, sem destruir, sem amassar. Tocar. Apenas sentir.
A sonoridade de algumas palavras não tem nada a ver com seu significado, pelo menos, pra mim. ‘Incipiente’, por exemplo. Lembra-me mais algo relacionado a vasilhas, parece até ‘recipiente’, não é? Pois é. Significa ‘iniciante’! O que tem a ver a pronúncia com o significado? Só algumas letras em comum. É, eu também acho. Pode ser que eu esteja errada, vai saber...
Defenestração! Essa é boa. Como Luis Fernando Veríssimo já havia relatado em uma de suas crônicas: ‘defenestrar – ato de jogar alguém ou alguma coisa pela janela’. Como assim? Olha que absurdo: ‘você é um defenestrado!’ Ou ainda: ‘Vou te defenestrar!’ Não, é um pecado o significado dessa palavra ser apenas o ato de jogar. Defenestração é poético demais. E até ofensivo também. É tudo, menos o simples ato de jogar.
Bem, eu venho tomando ‘ingresia’ de algumas coisas. Não entendeu? É que ‘ingresia’ significa barulho, confusão. E tomar ingresia nada mais é do que um trocadilho a essa palavra que eu acho linda! INGRESIA. Parece enjôo. Ânsia. Tomando ‘ingresia’. ‘Tomando abuso’! É isso. Venho enjoando, abusando. Enfim, tomando ingresia...
Por Luana Chaves (05/04/10)