terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Esquece e vai dormir...


Psiu... Fale baixo! Escute. Eu demorei a voltar, então, ouça bem o que tenho hoje a falar. Não vim para demorar. Serei breve e não baterei a porta. Apenas ouça, preste bem atenção em cada palavra que irei, aqui, humildemente, “pronunciar”. É um relato, é uma inspiração real. Escute.

Não importa em que situação você está ou eu esteja. A minha situação pode ser diferente da sua, a gente pode estar vivendo emoções diferentes. Ou não. A gente pode estar simplesmente vivendo a mesma merda! Sim, porque tudo que passou não seria digno de ser descrito ou contado com tanto entusiasmo se não tivesse um crescimento pessoal por trás. E daí? Essa questão puramente amorosa, se pode assim dizer, não vem ao caso. Não agora.

Sabe, meu bem, eu não vou te contar o que aconteceu. Desculpa. Na verdade, essa idéia nem ao menos se passou pela minha cabeça. Sabe por quê? Porque não importa, não serve para você. Cada história é uma história. Esquece... Valeu a pena pra você? Para mim, eu ainda tento descobrir se sim. Enfim...

Meu bem! Escuta: se um homem te quer, nada irá mantê-lo longe. Entretanto, se ele não quer nada com você, querida, sinto lhe dizer, mas, nada irá fazê-lo ficar, nem mesmo para olhar na sua cara e ser sincero quanto às suas próprias mentiras esfarrapadas. Nada! De novo: ESQUECE!

Vou te contar um segredo de estado! Mas não vale contar para terceiros, ok? É que, por vezes, eu fantasiei mais de várias desculpas e situações. Coitadinha de mim! Acredite: sempre fui boa nisso! E só te falo uma coisa: pare de dar desculpas, de arranjar justificativas para um homem e seu comportamento. A sua intuição tem mais credibilidade que sua imaginação em qualquer situação, portanto, permita que ela te proteja das mágoas, mulher! Se ame!

Sabe uma coisa que nunca funcionou? Se modificar o tempo todo pelo outro. Quando esse outro não quer, você pode se transformar em Beyoncé que ele nem vai notar! Então, lindinha, pare de tentar se modificar por uma relação que não tem que acontecer. NÃO HÁ VAGAS PARA VOCÊ! Acredite nisso.

“Devagar e sempre”. É um ditado que todo mundo já ouviu. Por que devagar? Devagar é melhor? Não sei, querida! Mas uma coisa eu sei demais: nunca dedique sua vida a um par de calças antes que você encontre um que realmente te faça feliz! Entendeu ou seria preciso eu desenhar? Sai dessa vida, menina!

Se você não saiu dessa vida e, se essa relação terminar porque o homem que você não soube escolher não te tratou como você merece... Ah, foda-se! Mande esse filho da puta pro inferno! Você demorou pra fazer isso, mas fez. Mais uma vez: ESQUECE ESSA PORRA! E te diria mais, meu bem: vocês não podem “ser amigos”. Sabe por quê? Porque um amigo não destrata outro amigo. Fica a dica.

Oh, menina teimosa, não conserte nada que você jura que esteja errado em você ou no seu comportamento. Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente, gata, é porque ele está mesmo! E eu nem preciso dizer que você sabe melhor que eu que ele é um babaca. PRECISO??

Pelo menos uma de nós, mulheres que se jogam num relacionamento sem medo, não continue uma relação porque você acha que ele vai melhorar. É fato, menina: você vai se chatear daqui um ano ou mais por continuar a relação porque as coisas ainda não melhoraram. E, acredite (mais uma vez): as coisas NUNCA mudam!

Só isso que eu te falo, meu bem. Se quiser me ouvir, bem. Se não quiser, amém! Todavia, se você não quiser levar em consideração os detalhes que te falei, será só mais uma mulher, assim como eu e tantas outras, a se foder numa relação que não era pra existir! Quer fazer diferente? Então, querida, acredite: a única pessoa que você pode controlar numa relação, felizmente/infelizmente, é você mesma. VALORIZE-SE!

Por Luana Chaves (25/01/11)


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dançando a vida


Retirando a poeira das sapatilhas. Olhando por cima, aquela imensa alegria. Parece sonho, parece verdade. E é verdade! Parece que faz anos. Em volta, as roupas. Todas guardadas, o véu amassado... A espera do resultado do vestibular. A ansiedade, o nervosismo... É assim que me encontro. Mas respiro fundo, sinto minha respiração se acalmar, pego minhas sapatilhas e vou!

A vida é como a dança. Em nossas andanças e mudanças, qualquer lugar vira palco! E o show começa assim, de repente, sem mais nem menos, no instante agora. O improviso é contínuo. Há giros, saltos, técnica, emoção! Todavia, há, também, tropeços, desequilíbrios, esquecimentos e, algumas vezes, decepção...

Ontem foi como num truque de mágica! Entrei na sala, vi todas ali, sentadas. Ainda continuavam lá, no cantinho delas. A mestra também se encontrava lá, sentada em seu canto, fazendo a chamada. Fui até ela, que incluiu meu nome na lista. Dei uma volta na sala e vi que o espelho continua lá, do mesmo jeito que antes. As cortinas da mesma cor, os focos de luzes coloridos (nenhuma lâmpada queimada).

Os olhinhos redondos quase que lacrimejavam ao ouvir o toque marcante do sax, o som doce da flauta e a vibração forte do alaúde. O tilintar das moedas dos lenços, a contagem da mestra: 7, 8 e gira! Os holofotes alternando suas cores. Todas as bailarinas no mesmo ritmo, quer dizer, quase na mesma sintonia. E o sorriso estampado na face, contornava-se de uma orelha a outra, como se não coubesse dentro de mim...

O improviso! Como a mestra gosta de ver cada parte de nós se desvendar na dança. De olhos fechados, a melodia da música me puxava, quase que me arrastando para onde ela queria ir e meu corpo simplesmente obedecia à risca, como se fosse um pecado mortal desviar o caminho que aquela melodia me levava. E assim foi. Minhas mãos em movimentos aveludados entravam em sintonia com cada movimento sinuoso que saía de meu ventre...

E a vida se segue. A gente dança, vive, sonha, improvisa e a gente cresce, cooomo cresce! Mas eu continuo a dançar, pois a dança alegra a minha alma, eleva meu espírito e dá vida ao meu corpo. E a vida me dita o ritmo. Ele oscila. Ele vai, volta, brinca comigo, me engana... Ainda, assim, eu sigo o compasso! Eu o busco sempre. E, enquanto houver vida, há música e há dança!


Por vezes danço rápido, no ritmo de uma moderna, brincando de dançar, repleta de alegria dentro de mim. Outras, porém, danço na meia ponta, em alta concentração, postura impecável. Enquanto que em muitas outras, danço sozinha, entre quatro paredes, na companhia de mim mesma, sentindo a minha própria energia se exalar, como num desabafo, numa conversa com um diário, num memento só meu...

A dança é uma linguagem universal, um instinto natural. Todos somos bailarinos da vida. Como cada vida tem sua história, seu personagem principal, a minha dança é só minha. Meus passos são únicos, são meus. Ninguém dança como eu. Meus movimentos são só meus, assim como os seus. Eles têm o jeito e a forma de quem os cria ou mesmo reproduz e têm o sentimento de quem os comanda, em cada momento, seja sinuoso ou acelerado, distinto.

A paz que sinto agora é de quem retorna ao lar, depois de muitos anos fora. A minha dança é a minha cara metade, é o amor que me completa, é o “outro” que me faz bem. Por isso, eu vivo, quer dizer, eu danço, sempre com o coração repleto de amor!

Por Luana Chaves (10/11/10)


domingo, 24 de outubro de 2010

Sonho de uma flauta


Nem toda palavra é
Aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz

Avião parece passarinho
Que não sabe bater asa
Passarinho voando longe
Parece borboleta que fugiu de casa

Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá

A gente parece formiga
Lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração

A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão as vezes é doce
Mas as vezes né doce não

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Hum... E o mundo é perfeito
Hum... E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito

Eu não pareço meu pai
Nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa
Sei que incerteza traz inspiração

Tem beijo que parece mordida
Tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga
Tem briga que aparece pra trazer sorriso

Tem riso que parece choro
Tem choro que é por alegria
Tem dia que parece noite
E a tristeza parece poesia

Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem a sede que morre no seio
Nota que fermata quando desafino

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais

Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
O dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar

Mas sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito...

O Teatro Mágico

sábado, 16 de outubro de 2010

Conversa de bar


Pensamentos borboleteando...

Eu só queria uma palavra, que ela me servisse de resposta. A brisa batia forte e eu ainda posso sentir o cheirinho da maresia (e a péssima textura do cabelo também!) e a areia entre meus pés e as sandálias. Ah, aquele dia foi tão bom! Apesar do conflito interno, foi muito bom. Ainda consigo ouvir o coral mudo que aqueles pombos faziam em volta dos prédios. Ninguém ouvia, ninguém reparava a dança que eles faziam, com tanta precisão (como seria possível?).

Acendendo um cigarro e tomando um café, ela sorriu para mim, ironicamente, como quem soubesse da minha necessidade, da minha imensa vontade de sair correndo mar adentro! Como saberia ela de tudo isso, sem aos menos termos trocado um “oi, tudo bem?”? Eu estava lá, sentada na guia da calçada, retirando o punhado de terra que havia ficado em meus pés. E ela ali, sentada numa mesa de bar (ou aquilo era um restaurante?).

Sem entender como e porque, aproximei-me daquela mulher. Uma mulher de cabelos negros e olhos maliciosos, que me lembrava alguém, que, naquele momento, não soube identificar quem seria. Entre o susto do impulso e a vontade em entender o porquê daquele sorriso sarcástico, prendi meu cabelo num coque e segui diretamente à mesa em que ela se encontrava. Sem nenhuma surpresa com minha atitude, a mulher desconhecida apontou uma cadeira à sua frente e fez um gesto, que se referia a mim. Sentei-me. Sem coragem de encarar aquele par de olhos maliciosos, meu olhar perdia-se entre os dedos inquietos daquele ser, que, estranhamente, me causava interesse e receio.

Naquele momento, tive pena de mim mesma, pois, pela primeira na vida, senti uma insegurança insustentável pairar sobre mim. Estava pálida! Mas não era só o sentimento de pena que me acompanhava, não. Havia algo mais. Na hora, eu não soube o que seria, mas, agora, eu tenho certeza! Havia também um misto de raiva e alegria. Sim, raiva pela minha fraqueza diante de uma desconhecida e alegria, por ter a certeza de que alguém, mesmo sendo um ser desconhecido, pudesse me surpreender, me deixar insegura, sem chão...

Passados alguns minutos de silêncio, a mulher acendeu outro cigarro e, após duas tragadas, mordeu os lábios e se apresentou:

- Meu nome é Mirella. Você não é daqui. Diga-me seu nome.

Sem pensar apenas por um segundo, um raio de coragem caiu sobre mim e prontifiquei-me a dizer, ainda trêmula:

- Lu... Luana!

A mulher riu novamente. Dessa vez, o sorriso veio com um ar de ternura. E, no fundo de seus olhos, eu vi uma paz. Era uma paz inexplicável! Havia um brilho diferente em seus olhos. E, de repente, meus lábios se abriram contra minha vontade e esboçaram um sorriso tímido, enquanto a mulher analisava meu rosto desconsertado. Enfim, tive coragem e perguntei:

- Como sabe que eu não sou daqui?

Mais um cigarro foi aceso e o café acabou por esfriar, pois a mulher já não dava mais atenção a ele (o café). Concentrou-se em seu cigarro, passou uma das mãos pelo cabelo negro e se pronunciou:

- Certas coisas não se dizem em palavras, você me deu a resposta com os olhos, antes mesmo que eu tivesse tempo para perguntar. E não é só isso que sei...

Sem entender, a curiosidade tomou conta de mim:

- O que mais pode saber, sem me conhecer? – Perguntei.

- O que te preocupa no momento, por exemplo. A sua sede de resposta. – Disse Mirella, com um ar de sabedoria.

O que seria aquela mulher, afinal? Uma vidente? Uma bruxa? Não saberia dizer. Uma ponta de desconfiança refletiu meu semblante e eu fiquei intacta, sem resposta. E a mulher continuou:

- Eu te conheço mais do que você imagina! Mais do que a mim mesma. Sabe por quê? – Perguntou a mulher, fitando-me os olhos.

Com o coração disparado e sem saber o que dizer ou fazer, não consegui mover um músculo sequer! E a desgraçada não parava:

- Sabe por que te conheço mais do que a mim mesma? Porque você sou eu! E eu sou apenas o seu eu lírico, o seu eu que fica na fronha do travesseiro! O seu eu que suporta as consequêcias de todas as suas atitudes. Eu sou o seu eu que se descobre a cada ação, por isso, não conheço-me melhor do que a ti, que é um eu fixo, que não muda, que é a essência...

Que confusão! O que Mirella estava dizendo? Quem era o eu de quem? Eu não seria uma pessoa só? Que história é essa de dois ‘eu’? Aquilo seria um delírio de identidade? Depois do chocante silêncio, Mirella se acalmou e disse, cabisbaixa e de olhos fechados:

- Está vendo essa mesa? Está vendo a você e a mim? Então, esses cigarros, não fui eu quem fumou. Esse café amargo, não fui eu quem deixou esfriar. Quem está falando com você, é você mesma. Isso que está acontecendo, é um encontro de você consigo mesma!

Num momento de desespero, desabei-me em choro! “Estou surtando, estou num momento psicótico”, foi o que pensei. Não seria possível! Sim, seria! Claro, Mirella! Era a personagem principal dos meus contos e crônicas. Sim, é verdade. Era ela mesma, a Mirella, a atriz das minhas histórias! E como isso foi acontecer? Como foi possível?

A mulher de olhos negros, como que adivinhando o que se passava pela minha cabeça naquele instante, acrescentou à sua fala:

- Esse encontro só foi possível porque você pediu uma resposta com fé, sem forma, sem nome, mas com muita fé. E agora você a tem em mãos, ou melhor, em mim, ou seja, em você mesma! As suas respostas estão sempre em você mesma, basta ter coragem para querer enxergar, de fato, suas verdades.

Como quem está caindo num sonho, eu levantei no susto! Assustada, virei uma xícara de café sobre a roupa e senti as pontas dos dedos queimarem. Apaguei a butuca de cigarro no cinzeiro de vidro e pedi a conta. De repente, senti uma estranha vontade de correr mar adentro, mas algo me impediu. Então, tirei minhas sandálias e sentei-me de frente ao mar, sentindo uma sensação boa. Fechei meus olhos e ouvi o mar sussurrando em meus ouvidos. E eu já não precisava de uma resposta. A calmaria do mar me trazia uma paz interna e, naquele dia, minhas interrogações foram embora, escorreram com as lágrimas que saltavam desesperadas dos meus olhos...

Por Luana Chaves

(16/10/10)


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Falando sobre o amor (de novo)


Pensamentos borboleteando...

O problema de sumir é que, quando a gente volta, tem que explicar o sumiço. E explicar o sumiço dá muito trabalho, você sabe. Às vezes, precisamos de um álibi, enfim. Como hoje estou um pouco cansada, podemos pular essa parte? Faz de conta que continuo sempre vindo aqui, que temos conversado sobre a vida, a faculdade, a dança, as amigas, o vizinho, os professores picaretas. Faz de conta que temos trocado confidências, que o tempo não passou, que o sorriso de hoje é o mesmo de 10 anos atrás, sem nenhuma marquinha na boca, sem nada estranho que lembre que o tempo passa. E como passa! O tempo passa muito, passa rápido, passa rindo da gente...

Meu pensamento fervilha. As idéias dão saltos mortais, estão evaporando! O coração está a mil. As emoções giram no sentido contrário (será?). E aí, eu me pergunto: Será que vou dar conta? Início de semestre, livro embaixo do braço, pessoas novas, dias diferentes e ele... Ele que ainda não saiu da minha cabeça! Parece que abriram uma porta, jogaram-no no espaço mais conflitante de mim, pregado com super bonder na parede que mais pulsa no meu coração e deixaram a chave no meu cérebro, que parece não ter acesso algum ao ele (o coração). Mas é assim mesmo. Nós somos uma família. UMA família! Nós, o início do semestre, as pessoas novas (e velhas, como não?), os conflitos, o cérebro e o coração e ele... Até ele! E todas as nossas outras coisas, nossos restos, nossos começos, meios e fins. Nós e nossas manias, nossos sucessos, nossos fracassos, nossos defeitos que ficam na fronha, nossas qualidades que fazem os olhos ter mais vida.

Eu sofri. Meu Deus! Como eu sofri com amores errados, ilusões, migalhas, coisas que achava que eram e nunca foram, paixonites enlouquecidas, vontades desesperadas. Todo mundo fala sobre o amor. As pessoas amam animais, objetos, pessoas, sorvetes, cervejas... O que era para ser “amor” tornou-se apenas uma palavra. O que era para ser um sentimento se tornou uma “coisa”. Uma simples coisa! Como podem fazer isso com o amor? Olha para mim e me explica. Mas olha mesmo, estou cansada de palavras soltas, ando sedenta por olho no olho. Estou desconfiada... O cabeleireiro novo me chama de amor. Entro na loja e a vendedora diz, sorrindo: "Oi, amada. Posso ajudar?". Não quero ser o amor de quem acabei de conhecer e entreguei meus lindos cabelos. Não quero que a vendedora me olhe e diga: "amada, essa calça ficou linda em você". Desculpe, é que tenho um profundo respeito pelas palavras.

Olhe, eu sou careta! Demorei tanto para sentir o amor. E acho que ainda não o senti... Intenso, verdadeiro! É, deve ser porque ainda não descobri o que ele, afinal de contas, é. Mas também, é lógico que a gente se engana! Alguns sentimentos se “travestem” e a gente crê que eles são amor. Depois, na hora do ‘vamos ver’, a gente descobre o que existia por baixo deles... Surpresa! Não era amor, era apenas uma confusão de sentimentos e vontades ou uma outra coisa qualquer. Não que eu esteja desmerecendo os outros sentimentos, longe de mim. Muitas emoções podem ser lindas (e são). Sentir é muito bom, mas o amor... Esse, que poucos sentem e muitos banalizam, deve ir muito mais além! Você entende? Às vezes, eu não entendo...

Eu posso dizer para você com todas as letras do alfabeto: eu-sofri-muito! E ainda sofro. Hoje acredito que talvez eu sofra porque estou constantemente me procurando. É uma busca incessante... Será que é por que dizem que a gente só encontra o amor depois de se achar? Eu estava em paz, numa vontade de ficar comigo, de ser minha amiga, de fazer dar certo essa relação difícil que existe entre nós e nós mesmos, de cuidar bem de mim, de tomar conta da minha vida do jeito certo. Então, ele apareceu. Não porque se mostrou a mim ou me seduziu, mas porque eu fui até ele. Sim, EU fui! Mostrei-me com todos os defeitos e qualidades, seduzindo aquele homem cobiçado. Não com olhares e gestos (até porque, ele nunca foi capaz de sustentar meu olhar!), mas com palavras. Não quaisquer palavras, mas as palavras que o fizeram sentir-se instigado a me decifrar.

Elas (as palavras), que me seduzem. Elas, que me envolvem. Elas, que me aproximam. Foram as palavras que me aproximaram dele. E foram elas que me conduziram até “o amor da minha vida”. Será? Por que as pessoas usam tanto esse clichê? Será mesmo que esse clichê tem verdade, tem vida? Entre uma palavra e outra, uma inquietação. Entre uma inquietação e outra, a curiosidade. Entre uma curiosidade e outra, um receio. Entre um “será” e outro, um relâmpago chamado coragem. Fui, fui com toda a vontade que tive. Ele veio (ou será que tive um delírio?). Para mim, NÓS fomos! Entre uma conversa e outra, um sentimento. Um sentimento sozinho, com sérios problemas de identidade. Um sentimento meu, só meu...

Ao que se vê, amar tem um quê de desespero, de descontrole, de coragem, de paciência, de cumplicidade, de segredo... Tem uma pitada de muitas coisas! Pra amar, tem que conhecer, se perceber. Tem que doer um pouco. Porque dói, é uma descoberta, é um se ver no outro, é um ver o outro exatamente como ele é (e, ainda assim, amar). Amar é perder o nojo, pois, amando, a gente percebe que o outro é uma pessoa (e as pessoas são sujas de vez em quando). Para amar, tem que ser inteiro. Para amar, a gente dispensa a matemática, por mais que um mais um seja dois. Para amar, o bom português basta. É só abrir o coração e boca e dizer: “eu te amo”. Será? Será que meu sentimento se resume a isso? Ou será que eu é que ainda não consegui sentir o amor?

Por Luana Chaves

(11/10/10)


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Aparências



Você não me conhece...
e pouco provável me
conhecerá.

Diga-me quem sou,
e lhe mostrarei que
está errado.

Olhe-me nos olhos
e compare-me, e verá que
Sou incomparável!

Fale-me o que vê,
e lhe provarei que
as aparências enganam...

E eu brinco com elas!


Por Luana Chaves
(2006)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mas não há...


Paixão sofrida em dor e amor que não se siga uma aleluia!

C. Lispector

segunda-feira, 12 de julho de 2010

De ontem em diante...


... serei o que sou no instante agora. Onde ontem, hoje e amanhã, são a mesma coisa. Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas, separadas pelo canto de um galo velho. Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho do versículo e da profecia: Quem surgiu primeiro? O antes, o outrora, a noite ou o dia? Minha vida inteira é meu dia inteiro. Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro! Minha mochila de lanches? É minha marmita requentada em banho Maria! Minha mamadeira de leite em pó, é cerveja gelada na padaria. Meu banho no tanque? É lavar carro com mangueira. E, se antes, um pedaço de maçã, hoje quero a fruta inteira! E da fruta, tiro a polpa; da puta, tiro a roupa. Da luta, não me retiro. Me atiro do alto e que me atirem no peito. Da luta, não me retiro! Todo dia de manhã, é nostalgia das besteiras que fizemos ontem...

Por Fernando Anitelli

sábado, 10 de julho de 2010

Pedras lascivas


Rosto varonil, corpo robusto.
Entre, com ou distante,
Destaca-se e vem provocar-me
As entranhas, perturbar minha paz...

Diga-me quem és tu!
Mostra-me o que há em tua face viril!
Invada-me com teu som, tua música.
A voz amorfa do teu ser se transformará.

Teus lábios tênues reviram-me ao avesso!
Sinto cada parte de mim dissolver-se.
A pele, a expressão. Ah! Tudo envolta
Harmonicamente diante de teus olhos...

Duas pedras preciosas sinuosamente
Perdidas em encontro ao meu lascivo
Olhar a queimar-te em cada ponto que
Te compõe. Oh! Pobres, são os meus!

Vem cobrir-me com teu mistério!
Desvenda-te com gosto, leve...
Sutilmente, envolva-te em mim.
Desperta-me em teu íntimo...

Diga-me quem és tu!
Debruça-me sobre teu colo atraente!
Transforma-me em tua melodia doce,
Teu canto preferido, tua boca...

Duas pedras preciosas a adentrar meu ser,
Tímidas e lascivas...
Meu corpo, teu corpo, teus sons
Silenciosamente a revirar-me ao avesso!

Teus lábios tênues instigam-me a decifrar-te
Pela boca, pela pele, pelos olhos...
Tudo que a ti cabe!
Envolta de tudo que podes ser... Em mim!

Por Luana Chaves
(06/05/10)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Precisamos de Santos


Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.
Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos".

João Paulo II